Cerco ao mercado de celulares roubados

A proposta muda o caminho utilizado atualmente, de apenas bloquear o aparelho após o crime e passa a atacar o mercado de receptação que movimenta bilhões de reais e alimenta organizações criminosas em todo o país.

Por Julia Portela

Sair de casa com o celular na mão se tornou um risco para milhões de brasileiros. Todos os anos, cerca de 1 milhão de aparelhos são roubados no país, sem contar a subnotificação. Por trás dos números estão pessoas agredidas, ameaçadas e até mortas por um objeto que hoje concentra documentos, contas bancárias, ferramentas de trabalho e boa parte da vida cotidiana. Para as famílias de menor renda, o prejuízo costuma ser maior, já que a reposição do aparelho pode levar meses ou anos.


Por isso, nesta terça-feira (23/06), o presidente Lula assinou o decreto que inaugura uma nova fase do Programa Celular Seguro. A proposta muda o caminho utilizado atualmente, de apenas bloquear o aparelho após o crime e passa a atacar o mercado de receptação que movimenta bilhões de reais e alimenta organizações criminosas em todo o país. A avaliação do governo é simples: enquanto houver quem lucre com a venda, a violência continuará fazendo vítimas.


A principal novidade é a criação do BNCR (Banco Nacional de Celulares com Restrição), que reúne dados das Polícias Civis dos 27 estados, operadoras de telefonia, Anatel e ABR Telecom. A plataforma concentra 3,3 milhões de registros de aparelhos com restrições entre 2020 e 2026 e permitiu a recuperação de 272 mil celulares. Com o chamado Modo Recuperação, o sistema passa a identificar quando um aparelho roubado volta a ser utilizado, facilitando a localização e devolução.


Ao mirar a cadeia econômica do crime, o governo busca enfraquecer um mercado que lucra com a insegurança da população e ajuda a financiar facções criminosas. A expectativa é reduzir não apenas os roubos, mas também a violência associada a eles.