Saúde não é prioridade para os bancos

Em vez de discutir medidas para enfrentar o adoecimento da categoria, a Fenaban travou a mesa de negociação, ameaçou a manutenção da mesa única e impediu o avanço da pauta de saúde.

Por Rose Lima

Explorar, adoecer e descartar. Os bancos são a fiel representação do mal que o ultraliberalismo faz à humanidade. E não estão dispostos a mudar. Mesmo diante de um cenário assustador de adoecimento. A postura ficou clara mais uma vez durante a quarta rodada de negociações da campanha salarial. Em vez de discutir medidas para enfrentar o adoecimento da categoria, a Fenaban travou a mesa de negociação, ameaçou a manutenção da mesa única e impediu o avanço da pauta de saúde.

 

A negociação desta terça-feira (21/07), que tinha como objetivo discutir medidas para prevenir o adoecimento e melhorar a organização do trabalho, terminou sem avanços. A Fenaban se recusou a reconhecer que o modelo de gestão adotado pelos bancos, marcado por metas abusivas, sobrecarga de trabalho e cobrança permanente por resultados, é a principal causa do aumento dos casos de problemas de saúde de cunho mental na categoria.

 

Os números mostram a gravidade da situação. Embora os bancários representem menos de 1% dos trabalhadores formais do país, eles respondem por 25% dos afastamentos por transtornos mentais reconhecidos pelo INSS. A Consulta Nacional 2026 também revela que 40% dos profissionais do setor utilizaram antidepressivos, ansiolíticos ou outros medicamentos controlados no último ano.

 

A pesquisa ainda aponta que 67% convivem com preocupação constante em relação ao trabalho, 59% sofrem com cansaço permanente, 47% já perderam a motivação para trabalhar, 42% enfrentam crises de ansiedade ou pânico e 39% têm dificuldades para dormir até nos fins de semana.

 

Para o presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, Elder Perez, enquanto os bancos se recusarem a reconhecer que o adoecimento é consequência direta da forma como organizam o trabalho, será impossível construir soluções efetivas. “Os dados escancaram uma realidade que os bancos insistem em ignorar. Não se trata de casos isolados, mas de um problema estrutural, provocado por metas abusivas, pressão permanente e um ambiente de trabalho que adoece. Quem lucra bilhões tem obrigação de cuidar da saúde de quem produz essa riqueza”.

 

Sem acordo, a discussão sobre saúde será retomada no dia 30 de julho. Antes disso, em 28 de julho, acontece um Dia Nacional de Luta para pressionar os bancos a reconhecerem o adoecimento e negociarem medidas concretas para enfrentar o problema.