Racismo religioso em debate
O racismo religioso no Brasil vai além de episódios isolados de intolerância e está relacionado a um processo histórico de discriminação contra as religiões de matriz africana. A prática atua como um mecanismo de exclusão social, afeta o direito à liberdade religiosa e reforça desigualdades que atingem, principalmente, a população negra.
Por Caio Ribeiro
O racismo religioso no Brasil vai além de episódios isolados de intolerância e está relacionado a um processo histórico de discriminação contra as religiões de matriz africana. A prática atua como um mecanismo de exclusão social, afeta o direito à liberdade religiosa e reforça desigualdades que atingem, principalmente, a população negra.
Ao longo da história, terreiros de Umbanda e Candomblé foram alvos de perseguições, criminalização e estigmatização, muitas vezes justificadas por discursos que associavam essas tradições a ameaças à ordem pública. Embora o contexto legal tenha mudado, práticas discriminatórias continuam presentes em diferentes espaços da sociedade.
Dados recentes do Disque 100, do MDHC (Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania) mostram que as denúncias de intolerância religiosa seguem em crescimento no país, tendo as religiões de matriz africana entre os principais alvos.
Cerca de 80% dos terreiros e líderes religiosos já sofreram ataques, de acordo com a pesquisa Respeite o Meu Terreiro, da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde, em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos).
O cenário evidencia que o racismo religioso permanece como um desafio para a garantia dos direitos humanos e da liberdade de crença.
O enfrentamento ao racismo religioso passa pela valorização da diversidade cultural, pela promoção de políticas públicas de proteção à liberdade religiosa e pelo combate à desinformação e aos estereótipos que historicamente marginalizam as tradições afro-brasileiras.


