NR-1, um olhar para o adoecimento
Ansiedade frequente foi relatada por 42,8% dos trabalhadores pesquisados; problemas de insônia e sono, por 47,8%; desgaste emocional no trabalho, por 58,2%; e 59,8% disseram sentir exaustão pela manhã só de pensar em trabalhar.
Por Rose Lima
Os dados assustam e mostram a importância em discutir jornada, metas, pressão e organização do trabalho. O Brasil registrou 546 mil afastamentos por transtornos mentais em 2025, elevação de 15% em relação a 2024. Depressão e ansiedade responderam por mais de 293 mil casos.
Os números ajudam a colocar em perspectiva os dados apresentados na negociação desta terça-feira (25/08). Ansiedade frequente foi relatada por 42,8% dos trabalhadores pesquisados; problemas de insônia e sono, por 47,8%; desgaste emocional no trabalho, por 58,2%; e 59,8% disseram sentir exaustão pela manhã só de pensar em trabalhar.
Para combater o adoecimento generalizado, entrou em vigor em maio a nova NR-1. A norma passou a incluir expressamente os fatores de riscos psicossociais no gerenciamento dos riscos ocupacionais. Entre eles estão a sobrecarga, assédio, falta de suporte e outros aspectos relacionados à organização do trabalho.
Isso coloca jornada, ritmo, metas e pressão por resultados no centro da discussão sobre saúde e segurança. Para os bancários, a redução da jornada pode ser parte importante da resposta. Mas, precisa vir acompanhada de mudança na forma como o trabalho é organizado.
Menos horas não podem resultar em cobrança intensificada. Quatro dias não podem significar quatro dias de pressão concentrada. É por isso que a participação do movimento sindical é fundamental nas transformações. Os sindicatos acompanham o processo, discutem critérios e fiscalizam a aplicação das mudanças.


