El Niño intenso deve durar até fevereiro de 2027

A tendência é de chuvas mais intensas no Sul, enquanto áreas do Nordeste e Norte podem enfrentar períodos de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas. O monitoramento do fenômeno no país aponta alta probabilidade de que o El Niño permaneça até o início de 2027.

Por Juliana Ambrozi

A OMM (Organização Meteorológica Mundial), da ONU (Organização das Nações Unidas), alertou nesta quinta-feira (03/09) para o avanço de um El Niño intenso com quase 100% de probabilidade de durar até, pelo menos, fevereiro de 2027. Segundo a organização, o fenômeno pode ganhar ainda mais força nos próximos meses e vir a se tornar o episódio mais forte em mais de 70 anos.


O El Niño acontece quando as águas do Oceano Pacífico aquecem mais do que o normal, alterando os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo. Entre os possíveis efeitos estão períodos de calor extremo, secas, chuvas intensas, inundações e aumento do risco de eventos climáticos extremos.


No Brasil, os impactos variam de acordo com a região. A tendência é de chuvas mais intensas no Sul, enquanto áreas do Nordeste e Norte podem enfrentar períodos de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas. O Sudeste também pode registrar mudanças no volume de chuvas e episódios de calor. O monitoramento do fenômeno no país aponta alta probabilidade de que o El Niño permaneça até o início de 2027.


Segundo a OMM, o Índice Niño 3.4, que registra anomalias térmicas no Oceano Pacífico Equatorial apontou um aumento de +1,5°C entre maio e junho, para +2 °C no mês de julho. As temperaturas continuaram a aumentar semanalmente, variando de +2,2°C a +2,6°C entre o final de julho e meados de agosto, indicando intensificação contínua.


A ONU também chama atenção para o fato de que o fenômeno ocorre naturalmente, mas seus efeitos acontecem em um planeta que já está mais quente por causa das mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global. 


A recomendação é de que os governos e setores mais afetados, como agricultura, saúde e abastecimento de água, se preparem para os possíveis impactos nos próximos meses, adotando, também, medidas que visem preservar a população em casos de eventos mais extremos.