O feriado com grito de soberania, direitos e democracia
Em Salvador, a mobilização começou às 9h, na Praça do Campo Grande, e seguiu em caminhada até a Praça Castro Alves. Nas ruas, a defesa dos direitos sociais se encontrou com a denúncia das desigualdades, da violência e das ameaças à democracia.
Por Julia Portela
A segunda-feira (07/09), feriado nacional, foi marcada pelas celebrações do Dia da Independência, mas também por um grito que não cabe nos desfiles oficiais. Em todo o país, a população ocupou as ruas para a 32ª edição do Grito dos Excluídos, que mantém como tema permanente “Vida em Primeiro Lugar!” e, neste ano, trouxe o lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”. A mobilização colocou no centro do debate o que o discurso oficial muitas vezes tenta esconder: não existe independência onde direitos são negados, a desigualdade avança e a soberania nacional é colocada em segundo plano.
Em Salvador, a mobilização começou às 9h, na Praça do Campo Grande, e seguiu em caminhada até a Praça Castro Alves. Nas ruas, a defesa dos direitos sociais se encontrou com a denúncia das desigualdades, da violência e das ameaças à democracia. O Grito dos Excluídos reafirma que o Brasil não pode aceitar como normal um projeto que transforma a desigualdade em regra e os interesses de fora em prioridade nacional.
O momento também exige atenção diante do avanço da extrema direita e de seus ataques à soberania brasileira. Setores que já flertaram abertamente com o golpismo agora tentam transformar interesses estrangeiros em instrumento de disputa política interna e avançar no apoio com os Estados Unidos na eleição de Flavio Bolsonaro.
Além de Salvador, manifestações tomaram as ruas de capitais e municípios brasileiros. O recado é claro: existe um Brasil que não aceita ser sucateado, entregar suas riquezas e recursos, nem assistir calado à retirada de direitos em nome dos interesses de poucos. Independência não pode ser reduzida ao grito às margens do Ipiranga. Independência de verdade é soberania, e garantir que as riquezas produzidas no país estejam a serviço do povo brasileiro e não dos interesses de quem sempre lucrou com a exploração do Brasil.


