Mulheres negras são minoria nas candidaturas

Em 2022, as mulheres representavam 51% das candidaturas de até 29 anos da esquerda e 48,3% da direita, sem distinção racial. Agora, os índices caíram para 46,7% e 37,5%, respectivamente. Enquanto isto, as candidaturas de homens brancos jovens cresceram de 26,2% para 30,8%. 

Por Juliana Ambrozi

O índice de mulheres candidatas a cargos políticos entre 18 a 29 anos declinou de 49,1%, em 2022, para 40,5%, este ano. A redução é ainda mais alarmante entre as candidaturas de negras, cuja participação caiu de 28,7% para 21,3%, no mesmo período, segundo dados do Monitor Jovem DX, pesquisa realizada pelo Instituto Democracia em Xeque.


Apesar de a desigualdade racial nunca ter deixado de ser uma realidade, os números atuais contrastam com o então avanço expressivo da participação feminina jovem na política. De 2014 a 2022, as candidaturas cresceram de 9,4% para 37,5% entre mulheres brancas e de zero a 14,6% entre mulheres negras. 


O estudo expõe a influência negativa da despolitização e do preconceito tão propagados pela extrema direita, enfim pelos bolsonaristas entre os jovens. Em 2022, por exemplo, as mulheres representavam 51% das candidaturas de até 29 anos da esquerda e 48,3% da direita, sem distinção racial. Agora, os índices caíram para 46,7% e 37,5%, respectivamente. Enquanto isto, as candidaturas de homens brancos jovens cresceram de 26,2% para 30,8%. 


Fatores como a precarização do trabalho, responsabilidades familiares, falta de tempo e violência de gênero também devem ser considerados como potencializadores dos resultados. Estas barreiras são ainda mais intensificadas para as mulheres negras, grupo historicamente mais distante dos espaços de poder público.


A diferença não é apenas numérica e expõe como raça e gênero continuam determinantes, de maneira desigual, para quem consegue acessar a disputa política. Em um país onde somente 4,7% das candidaturas são de jovens, enquanto 21,55% do eleitorado são compostos por pessoas de 16 a 29 anos, sendo a maioria feminina e negra, a retração acende o alerta para os mecanismos que têm influenciado as tendências excludentes e discriminatórias às parcelas jovens do Brasil.