Provisões inflam os lucros dos bancos
Enquanto milhões de brasileiros enfrentam o peso das dívidas e dos juros elevados, os bancos seguem protegendo seus resultados com provisões cada vez maiores e ainda registrando lucros escandalosos.
Por Juliana Ambrozi
Os bancos brasileiros continuam registrando lucros bilionários, cada vez mais crescentes, mas os resultados divulgados precisam ser analisados considerando o peso das provisões para devedores duvidosos. Ano após ano, os ganhos crescem e as instituições apontam a alta da inadimplência como justificativa, mascarando a contabilização do lucro apresentado.
No segundo trimestre deste ano, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander ampliaram as provisões para possíveis perdas com crédito. Na realidade, os bancos seguem apresentando resultados expressivos. No período, o Itaú registrou lucro de R$ 12,4 bilhões, o Bradesco R$ 7,1 bilhões e o Banco do Brasil R$ 7,3 bilhões.
Os números levantam um questionamento sobre até que ponto o lucro divulgado representa a real capacidade de geração de resultados dos bancos. O aumento recorrente dos ganhos evidencia a distância entre a lucratividade anunciada e o resultado antes das provisões.
Segundo o Banco Central, em julho deste ano, a inadimplência alcançou 4,9%, nível recorde da série histórica iniciada em 2011. Enquanto isto, a proporção de famílias brasileiras endividadas chegou a 82%.
Enquanto milhões de brasileiros enfrentam o peso das dívidas e dos juros elevados, os bancos seguem protegendo seus resultados com provisões cada vez maiores e ainda registrando lucros escandalosos. Por isto, olhar apenas para os números divulgados pode esconder a real dimensão dos ganhos das instituições e o impacto que o sistema financeiro tem sobre o endividamento das famílias.


