Calor extremo é o preço do capitalismo
O dado reforça que a adaptação ao calor não é uma escolha, mas uma imposição criada pela ausência de limites ao capital, que transforma a natureza em mercadoria e empurra milhões para condições cada vez mais insalubres de trabalho e moradia.
Por Julia Portela
A crise climática avança em ritmo acelerado e já tem responsáveis bem definidos. Até 2050, quase 3,8 bilhões de pessoas podem ser submetidas a calor extremo, com o Brasil entre os países mais afetados pelo aumento brutal da demanda por refrigeração, segundo alerta de cientistas divulgado nesta segunda-feira (26/02). O cenário expõe como a devastação ambiental, impulsionada pelo modelo econômico dominante, recai diretamente sobre a vida humana.
De acordo com o estudo, a população exposta a temperaturas extremas deve quase dobrar caso a média global chegue a 2 °C acima dos níveis pré-industriais. O dado reforça que a adaptação ao calor não é uma escolha, mas uma imposição criada pela ausência de limites ao capital, que transforma a natureza em mercadoria e empurra milhões para condições cada vez mais insalubres de trabalho e moradia.
Enquanto o capitalismo segue no topo das decisões políticas e econômicas, a fragilidade ambiental se aprofunda e ameaça a existência de quem depende do planeta para viver. Sem enfrentar o modelo ultraliberal que alimenta a crise climática, o aumento do calor extremo seguirá pago pelos trabalhadores, enquanto os grandes responsáveis pela destruição seguem lucrando.
