No sistema financeiro, inclusão sem acolhimento
Os dados do “Relatório de Cidadania Financeira”, do Banco Central, mostram que 88% dos adultos são usuários ativos do sistema financeiro nacional, realizando operações como pagamento de boletos, uso do Pix e contratação de crédito.
Por Ana Beatriz Leal
Apesar de mais de 96% da população adulta brasileira possuir conta bancária ou de pagamento, o avanço da chamada bancarização é acompanhado de uma contradição. O acesso não significa, necessariamente, atendimento de qualidade, muito menos humanizado.
Os dados do “Relatório de Cidadania Financeira”, do Banco Central, mostram que 88% dos adultos são usuários ativos do sistema financeiro nacional, realizando operações como pagamento de boletos, uso do Pix e contratação de crédito. Em média, cada brasileiro mantém quase sete relações distintas com instituições financeiras.
Os números são referentes a 2024 e, para o sistema financeiro, é como se fosse uma “prova” de que há uma inclusão. De fato, a popularização do Pix, o crescimento das fintechs e a digitalização dos serviços ampliaram o acesso. Mas, a modernização veio acompanhada do fechamento de agências em diversas regiões do país, principalmente em cidades menores e áreas periféricas.
Para grande parte da população, sobretudo idosos e pessoas com menor familiaridade digital, significou a substituição do contato humano por aplicativos e canais automatizados. A fragilidade fica ainda mais evidente quando se observa o uso do crédito. No final de 2024, cerca de 53 milhões de brasileiros utilizavam rotativos ou parcelamentos de cartão de crédito, que possuem altas taxas de juros, o que contribui para o aumento do superendividamento.
Além disto, mais de 21 milhões de adultos seguem fora do sistema financeiro. Este grupo é composto, em grande parte, por homens sem emprego formal e idosos, normalmente quem depende de atendimento presencial e personalizado. O fechamento de agências, portanto, não apenas dificulta o acesso de quem já está dentro do sistema, mas também amplia a exclusão de quem ainda está à margem.
