Focus: mercado sabota queda dos juros

É a ditadura do lucro sobre a produção, que utiliza a desculpa de uma inflação projetada em 4,80% para manter o Brasil como o paraíso dos especuladores, enquanto o trabalhador paga a conta do crédito caro.

Por Julia Portela

O mais recente Boletim Focus escancara a tática de sabotagem do setor financeiro contra a economia brasileira. Sob o pretexto de "ajustar expectativas", os analistas dos bancos elevaram a projeção da Selic para 13,00% ao final de 2026. Embora o índice atual esteja em 14,75%, essa revisão para cima nas planilhas do mercado é uma barreira deliberada: os especuladores estão "subindo o piso" das previsões para forçar o Banco Central a manter os juros em patamares abusivos, impedindo a redução necessária para o crescimento do país e a geração de empregos.

 

Essa manobra do rentismo ignora a queda nas projeções do câmbio, agora estimadas em R$ 5,30, e a estabilidade do PIB, focando apenas na manutenção da transferência de riqueza para os cofres bancários. Ao elevar a projeção de 12,50% para 13,00%, o mercado envia um recado claro de que não aceitará o fim da política de juros de dois dígitos. É a ditadura do lucro sobre a produção, que utiliza a desculpa de uma inflação projetada em 4,80% para manter o Brasil como o paraíso dos especuladores, enquanto o trabalhador paga a conta do crédito caro.


A pressão se estende para 2027, com a estimativa da Selic avançando para 11,00%, provando que o setor financeiro não tem planos de permitir uma retomada econômica real a médio prazo. A estratégia é criar um cenário de pânico artificial com o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) subindo para 4,66%, justificando a manutenção do garrote monetário. Essa política ultraliberal sufoca o consumo das famílias e o investimento público, servindo unicamente para alimentar o rendimento de uma minoria que vive da dívida pública.