Conferência BA/SE: desafios dos bancários e dos brasileiros
Os bancários da Bahia e Sergipe deram início, na manhã deste sábado (30/05), à Conferência Interestadual, marcada por reflexões sobre os desafios enfrentados pelos trabalhadores diante das transformações econômicas, políticas e sociais que impactam o país e o mundo.
Por Rose Lima
Os bancários da Bahia e Sergipe deram início, na manhã deste sábado (30/05), à Conferência Interestadual, marcada por reflexões sobre os desafios enfrentados pelos trabalhadores diante das transformações econômicas, políticas e sociais que impactam o país e o mundo. A abertura do evento reuniu lideranças sindicais, parlamentares e representantes dos trabalhadores, que destacaram a importância da organização da categoria em um momento de intensas disputas políticas e de mudanças no setor financeiro.
Ao abrir os trabalhos, a presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, Andreia Sabino, ressaltou que a Conferência acontece em um contexto de forte polarização política no Brasil, disputas eleitorais acirradas e conflitos geopolíticos internacionais que afetam diretamente a vida dos trabalhadores.
Segundo ela, os reflexos desse cenário também são sentidos diariamente pelos bancários, que convivem com problemas como metas abusivas, assédio moral, fechamento de agências, precarização do atendimento, aumento da exclusão bancária e demissões, mesmo diante dos lucros bilionários registrados pelos bancos.
A deputada federal Alice Portugal (PCdoB/BA) também destacou os desafios enfrentados pelos bancários, citando o fechamento permanente de agências e o avanço da pejotização, especialmente nos bancos privados. Para a parlamentar, a defesa dos direitos trabalhistas e da organização coletiva é fundamental para enfrentar as mudanças impostas ao mundo do trabalho.
O secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Augusto Vasconcelos, lembrou que os bancários construíram uma das mais importantes convenções coletivas do continente. “Não é um feito qualquer. É resultado da mobilização de cada bancário e bancária, do Acre ao Rio Grande do Sul”, afirmou ele que é empregado da Caixa e presidente licenciado do Sindicato dos Bancários da Bahia.
Augusto alertou, no entanto, que a Convenção Coletiva de Trabalho enfrenta ameaças permanentes desde a reforma trabalhista, imposta pelo governo Temer, em 2017. Segundo ele, embora o setor financeiro tenha ampliado o número de postos de trabalho neste ano, uma parcela crescente desses trabalhadores está fora da abrangência da CCT, pois são contratados como PJ.
Ao abordar a conjuntura nacional, o dirigente avaliou que os trabalhadores conseguiram avanços importantes nos últimos anos, mas destacou a necessidade de ampliar a representação política comprometida com as pautas sociais no Congresso Nacional. Ele citou medidas como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, iniciativas voltadas à reindustrialização do país e a redução dos índices de desemprego como conquistas recentes que precisam ser preservadas.
Também presente na abertura, o presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, Elder Perez, reforçou a importância da mobilização da categoria diante dos desafios que se aproximam. O vice-presidente da CTB Bahia, Hermelino Neto, reforçou a importância da eleição de representantes comprometidos com os interesses dos trabalhadores e a continuidade do projeto em curso no país.
A abertura da Conferência também foi marcada pela apresentação de uma moção em defesa dos aposentados. A diretora de AposentAção do Sindicato, Patrícia Ramos, lançou um abaixo-assinado com o objetivo de sensibilizar o Comando Nacional dos Bancários para ampliar as discussões sobre a inclusão de uma cláusula específica para aposentados na CCT. A proposta é aprofundar o debate nos próximos dois anos para que a reivindicação possa avançar nas negociações futuras.
A Conferência Interestadual dos Bancários da Bahia e Sergipe prossegue ao longo do fim de semana com debates sobre conjuntura política e econômica, soberania nacional, sistema financeiro e definição das prioridades que serão levadas à Conferência Nacional dos Bancários.


