Mesa única garante os direitos dos bancários

Enquanto os privados conseguiam reajustes por meio da negociação coletiva, os funcionários das instituições federais acumulavam perdas salariais, recebiam abonos que não eram incorporados aos salários, tinham um vale-refeição baixo e uma PLR (Participação nos Lucros e Resultados) definida unilateralmente pelas empresas.

Por Rose Lima

A mesa única de negociação é uma das principais diretrizes da organização dos bancários. Mas nem sempre foi assim. Antes da conquista, em 2003, empregados de bancos públicos enfrentavam uma realidade de arrocho salarial e perda de direitos.

 

Durante os oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso, os trabalhadores da Caixa e do BB negociavam separadamente, com pouca força diante das direções das empresas. Enquanto os privados conseguiam reajustes por meio da negociação coletiva, os funcionários das instituições federais acumulavam perdas salariais, recebiam abonos que não eram incorporados aos salários, tinham um vale-refeição baixo e uma PLR (Participação nos Lucros e Resultados) definida unilateralmente pelas empresas.

 

Na Caixa, sequer existia PLR. Pior, houve momentos em que a direção se recusou até a receber a pauta de reivindicações. Ao final dos dois mandatos de FHC, as perdas reais acumuladas chegaram a 23,36% e 20,38% para os empregados da Caixa. No Banco do Brasil, as perdas foram de 21,42% e 17,41%.

 

A virada começou em 2003, quando bancários de bancos públicos e privados passaram a negociar juntos em uma única mesa. Dois anos depois, a categoria assinou a primeira CCT (Convenção Coletiva de Trabalho) nacional unificada, consolidando um modelo que ampliou o poder de negociação.

 

Hoje, além das regras gerais previstas na Convenção Coletiva, os empregados da Caixa contam com a PLR Social e os funcionários do BB têm regras específicas negociadas no ACT. Em 2025, os acordos garantiram a distribuição de 15% do lucro na Caixa e de 11% no BB, percentuais muito superiores ao limite aplicado às demais empresas estatais.

 

Por isso, a defesa da mesa única vai além da negociação salarial. Ela representa a união da categoria, amplia o poder de pressão dos trabalhadores e impede que empregados de bancos públicos fiquem isolados diante das empresas. É uma conquista construída com mobilização que é fundamental para preservar direitos e garantir avanços.