A digitalização e o êxodo das agências
Não é só a clientela que sofre. Os bancários veem funções operacionais e administrativas desaparecerem. Entre 2015 e 2025, nos bancos públicos houve queda significativa nas seguintes ocupações: supervisores administrativos (-85%), atendentes (-68%), caixas (-58%) e gerentes (-33%).
Por Ana Beatriz Leal
O sistema financeiro passa por um processo de digitalização, que tem excluído uma parte da população. O atendimento humanizado se tornou raro. O presencial foi substituído por telas e cliques. A grande questão é que nem todo mundo está preparado para as interfaces.
Ano passado, o setor financeiro investiu R$ 47,8 bilhões em tecnologia. No mesmo período foram realizadas 7,2 bilhões de transações em agências bancárias físicas. Apesar da demanda evidente, os bancos têm promovido um verdadeiro êxodo das unidades.
Hoje, 19,7 milhões de brasileiros moram em cidades sem agências tradicionais. Para estes, restam apenas os canais alternativos e cooperativas de crédito. Já aqueles sem qualquer ponto físico de atendimento somam 5,6 milhões de pessoas em 926 municípios.
Não é só a clientela que sofre. Os bancários veem funções operacionais e administrativas desaparecerem. Entre 2015 e 2025, nos bancos públicos houve queda significativa nas seguintes ocupações: supervisores administrativos (-85%), atendentes (-68%), caixas (-58%) e gerentes (-33%).
Com o crescimento acelerado na Inteligência Artificial, o temor pelo emprego bancário e a necessidade de defendê-lo é ainda mais urgente. Os bancos devem investir este ano R$ 1,4 bilhão em infraestrutura e soluções tecnológicas.
Apesar da bonanza financeira, para os bancários e clientes a rédea é curta. Entre 2015 e maio de 2026, os bancos fecharam cerca de 93,3 mil vagas e 9,5 mil unidades do Brasil.


