Cuidado sem remuneração, realidade das mulheres

Mulheres dedicam, em média, 9,6 horas semanais a mais do que homens em tarefas domésticas e cuidados, o que representa mais de mil horas anuais com terceiros, sejam filhos, maridos ou pais, sem reconhecimento ou remuneração pelo trabalho.

Por Itana Oliveira

A violência que hoje atinge as mulheres está diretamente associada à cultura machista perpetuada no cotidiano social. Os dados confirmam. Segundo estudo da PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), mulheres dedicam, em média, 9,6 horas semanais a mais do que homens em tarefas domésticas e cuidados, o que representa mais de mil horas anuais com terceiros, sejam filhos, maridos ou pais, sem reconhecimento ou remuneração pelo trabalho. A pesquisa também mostra que 90% dos cuidadores informais do Brasil são do gênero feminino, com idade média de 48 anos. 


A rotina, quase obrigatória, afeta a vida profissional e estudos de mulheres e meninas, portanto, a ideia de remuneração é mais do que justa, inclusive, há países que já admitiram a importância do trabalho exercido pelo grupo e as apoiam, através de políticas públicas para os cuidadores. Finlândia e Dinamarca pagam pelos serviços de assistência doméstica como forma de compensar tamanha sobrecarga de trabalho. No Reino Unido e na Irlanda, o Estado repara a perda da renda durante o período em que a pessoa presta assistência a um familiar.


No Brasil, em 2024, foi instituída a Política Nacional do Cuidado, que busca reconhecer o cuidado como direito humano fundamental e determina que a responsabilidade deve ser compartilhada entre Estado, famílias, sociedade e setor privado. A iniciativa, ainda que gradativamente, caminha para uma sociedade igualitária que reduz a sobrecarga histórica imposta a mulheres.