Escala 6x1 aprofunda sobrecarga das mulheres 

No mês internacional da mulher, o debate sobre o fim da escala 6x1 ganha ainda mais importância por conta do impacto direto na vida das trabalhadoras. Em uma sociedade marcada por desigualdades estruturais, muitas mulheres vivem uma rotina exaustiva, divididas entre o trabalho e as responsabilidades domésticas e de cuidado. No dia a dia, a realidade significa jornadas longas, pouco tempo para si e um cansaço que se acumula semana após semana.

Por Ana Beatriz Leal

No mês internacional da mulher, o debate sobre o fim da escala 6x1 ganha ainda mais importância por conta do impacto direto na vida das trabalhadoras. Em uma sociedade marcada por desigualdades estruturais, muitas mulheres vivem uma rotina exaustiva, divididas entre o trabalho e as responsabilidades domésticas e de cuidado. No dia a dia, a realidade significa jornadas longas, pouco tempo para si e um cansaço que se acumula semana após semana.
 

Dados do Censo 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que as mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e cuidados com outras pessoas, enquanto os homens, apenas 11,7 horas. Entre as pretas e pardas, a carga é ainda maior: 1,6 hora a mais por semana do que as brancas. 
 

Mesmo quando as trabalhadoras cumprem jornadas formais de 40 a 44 horas semanais, o trabalho não termina ao sair do emprego. Mulheres brancas dedicam, em média, 15h47 semanais aos cuidados, enquanto mulheres negras chegam a 16h38. No caso dos homens brancos e negros na mesma jornada, o tempo é de 11 horas.
 

Neste contexto, a escala 6x1 aprofunda a sobrecarga. O único dia de folga costuma ser ocupado por tarefas acumuladas da casa, compras, limpeza e cuidados com filhos ou familiares. No fim das contas, o corpo e a mente quase nunca param. Ser produtivo demais cansa, desgasta e cobra um preço alto da saúde física e emocional.
 

Segundo dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) e da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), cerca de 75% das pessoas ocupadas no Brasil trabalham 40 horas ou mais por semana. Por isto, discutir a redução da jornada e o fim da escala 6x1 que, embora receba apoio do governo enfrenta grande resistência do Congresso Nacional, é debater igualdade, dignidade e qualidade de vida.