Redução na taxa de juros é irrisória
Embora a medida já fosse esperada e venha acompanhada do argumento de convergência da inflação à meta, o efeito prático vai na direção oposta ao momento econômico. Juros altos encarecem o crédito, desestimulam o consumo e dificultam o acesso a financiamentos, o que acaba pressionando ainda mais o orçamento das famílias e ampliando o endividamento.
Por Itana Oliveira
Mesmo com uma conjuntura econômica positiva, marcada por recordes de emprego, melhora da renda e ampliação de políticas públicas, o Brasil segue enfrentando o nível ainda elevado da taxa básica de juros. A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de reduzir a Selic de 15% para 14,75% ao ano, mantém este cenário praticamente inalterado, com um corte mínimo que pouco altera as condições reais da economia, mesmo após dois anos sem qualquer ajuste. Entre setembro de 2024 e março deste ano, a taxa foi elevada de 10,5% até os recentes 15% determinados. A estatística evidencia a postura da autarquia de continuar barrando o crescimento econômico do país.
Embora a medida já fosse esperada e venha acompanhada do argumento de convergência da inflação à meta, o efeito prático vai na direção oposta ao momento econômico. Juros altos encarecem o crédito, desestimulam o consumo e dificultam o acesso a financiamentos, o que acaba pressionando ainda mais o orçamento das famílias e ampliando o endividamento. Na prática, a política monetária atual vai de encontro aos esforços de estímulo à renda e à atividade econômica.
Além disto, o Brasil segue entre os países com maiores juros reais do mundo, mesmo com inflação controlada e um ambiente mais previsível. O descompasso reforça a percepção de que há uma desconexão entre a atuação do Banco Central e a realidade econômica do país, já que a manutenção de juros elevados, neste contexto, tende a comprometer a competitividade e limitar o ritmo de crescimento.
