Cela de luxo para Bolsonaro em um sistema prisional em colapso

Enquanto a taxa de ocupação dos presídios brasileiros ultrapassa 150%, a nova cela de Jair Bolsonaro, na Papudinha, é quase 10 vezes maior do que o mínimo previsto na Lei de Execução Penal e ainda supera os padrões internacionais mínimos.

Por Itana Oliveira

Enquanto a taxa de ocupação dos presídios brasileiros ultrapassa 150%, a nova cela de Jair Bolsonaro, na Papudinha, é quase 10 vezes maior do que o mínimo previsto na Lei de Execução Penal e ainda supera os padrões internacionais mínimos.


A unidade possui área total de 64,83 m² (54,76 m² cobertos e 10,07 m² externos), e conta com banheiro, cozinha, lavanderia, quarto, sala e área externa. As acomodações permitem preparo e armazenamento de alimentos, chuveiro e água quente, geladeira, armários, cama de casal e televisão, além de espaço para instalação de equipamentos de ginástica, como esteira.


Um cenário completamente diferente da realidade vivida pelos mais de 700 mil encarcerados no país, que enfrentam superlotação, insalubridade e ausência de direitos básicos diariamente. Celas que deveriam ter duas pessoas chegam a ter seis detentos.


A defesa de Bolsonaro tentou, de forma estratégica, a concessão de prisão domiciliar, pedido que foi negado. Ainda assim, obteve êxito ao garantir a transferência para a Papudinha, unidade localizada ao lado do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, reforçando a existência de um tratamento diferenciado mesmo diante da negativa judicial.


Diante da gravidade dos crimes atribuídos ao líder golpista, o local de cumprimento da pena não pode ser visto de outra forma que não como privilégio, sobretudo em um país onde a maioria da população carcerária nem sequer tem acesso a condições mínimas de dignidade.