Descaso dos bancos com os empregos

Para o presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, Elder Perez, não existe justificativa para os desligamentos. “As demissões não se justificam sob nenhum aspecto, a não ser o incremento do lucro de um setor que não sofre crises, muito pelo contrário. Os bancos deveriam contratar e abrir agências. Defendemos a suspensão das demissões e do fechamento de unidades, mas a Fenaban recusa esse compromisso”.

Por Rose Lima

A negativa da Fenaban em garantir estabilidade no emprego e suspender o fechamento de agências durante a campanha salarial marcou a segunda rodada de negociação com o Comando Nacional dos Bancários, realizada ontem. Os bancos também recusaram dar estabilidade para mulheres vítimas de violência doméstica e não assumiram qualquer compromisso com a preservação dos postos de trabalho e da rede de atendimento, mantendo o impasse sobre uma das principais reivindicações da categoria.

 

A pauta do emprego dialoga diretamente com diversos outros temas discutidos na negociação. O fechamento de agências amplia a exclusão financeira ao desconsiderar a grande demanda pelo atendimento presencial, especialmente da população mais vulnerável, que depende do serviço para acessar direitos, benefícios e serviços essenciais.

 

Os números apresentados na negociação evidenciam o movimento de enxugamento promovido pelo setor. Entre 2015 e 2025, o quadro de pessoal das cinco maiores organizações financeiras do país passou de 433.015 para 384.049 empregados. São 48.966 postos de trabalho a menos.

 

Mais recentemente, entre janeiro de 2025 e maio de 2026, outros 15,3 mil empregos desapareceram. Os dados do Dieese mostram ainda o impacto regional. No Nordeste, o número de bancários caiu de 64.072 para 55.576. Na Bahia, a perda foi de 3.416 empregos, redução de 19%.

 

Para o presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, Elder Perez, que integra a mesa de negociação com a Fenaban, não existe justificativa para os desligamentos. “As demissões não se justificam sob nenhum aspecto, a não ser o incremento do lucro de um setor que não sofre crises, muito pelo contrário. Os bancos deveriam contratar e abrir agências. Defendemos a suspensão das demissões e do fechamento de unidades, mas a Fenaban recusa esse compromisso”.

 

A Fenaban deixou pendentes ainda respostas sobre outras reivindicações, como a retomada das homologações nos sindicatos, a ampliação do valor da verba para qualificação e requalificação profissional e o pagamento de indenização adicional aos trabalhadores demitidos.