Medo da violência persegue as mulheres

Segundo pesquisa do Instituto Patrícia Galvão, 82% das mulheres têm “muito medo de ser vítima de estupro”.

Por Itana Oliveira

Ser mulher é sinônimo de perigo em qualquer fase da vida e em qualquer lugar. Tratadas como propriedade dos homens, ainda hoje convivem com medo diariamente. Os números mostram. Segundo pesquisa do Instituto Patrícia Galvão, 82% têm “muito medo de ser vítima de estupro”. Em 2020, este dado era de 78%, ou seja, o cenário só piora. 


Outras 15% afirmaram ter “um pouco de medo”. Somados, os dados chegam ao percentual de 97% de mulheres que vivem com algum grau de temor da violência sexual. A pesquisa traz dados ainda mais chocantes: 15% afirmaram já terem sido violentadas. Desse universo, 80% antes dos 13 anos. 


Ainda nesse recorte, 72% sofreram violência dentro da própria casa, dado que pode explicar tamanho temor das mulheres, afinal, se nem no lar estão protegidas, onde mais estarão? No total de casos, 84% dos estupros foram cometidos por um homem do círculo social da vítima. 


A pesquisa, que também contemplou homens, consultou a percepção geral dos entrevistados. Quase todos (99%) reconhecem que as mulheres têm medo de estupro e 8% afirmam acreditar que as vítimas raramente revelam o que sofreram, por ameaças, medo de não serem ouvidas ou vergonha. Dado confirmado: entre as que foram abusadas antes dos 14 anos, 60% nunca contaram a ninguém; apenas 15% chegaram a uma delegacia e 9% receberam atendimento em unidade de saúde.


Apesar da luta feminista ter alcançado, teoricamente, os mesmos direitos entre mulheres e homens, na prática, o machismo continua violentando e matando mulheres. Enquanto a justiça for leniente na punição dos agressores, a vida de uma mulher continuará sendo vista como fútil na sociedade