Brasil lota 7 Maracanãs de trabalhadores adoecidos 

O número, superior ao de anos anteriores, revela o impacto de uma cultura corporativa que normaliza jornadas extensas, pressão constante por metas e ambientes marcados por sobrecarga e assédio.

Por Ana Beatriz Leal

O Brasil colecionou em 2025 um recorde preocupante. No ano passado, 546 mil trabalhadores foram afastados por transtornos mentais, segundo dados do Ministério da Previdência Social. O contingente equivale a sete Maracanãs lotados, não por torcedores, mas por profissionais que chegaram ao limite entre ansiedade, depressão e burnout.


O número, superior ao de anos anteriores, revela o impacto de uma cultura corporativa que normaliza jornadas extensas, pressão constante por metas e ambientes marcados por sobrecarga e assédio. Diferentemente de acidentes físicos, o adoecimento psíquico, muitas vezes, acontece em silêncio, impulsionado por uma lógica de produtividade que transforma, de forma equivocada, exaustão em comprometimento.


Os bancários conhecem bem a realidade de cobrança exagerada. Estão entre as categorias com maior número de afastamentos por doenças mentais relacionadas ao trabalho no Brasil. Segundo o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), gerentes de banco ocupam o segundo lugar e escriturários o terceiro no ranking de profissionais com mais pedidos de afastamento por transtornos mentais reconhecidos como doença ocupacional (B91) entre 2012 e 2024.


Diante da triste realidade, a atualização da NR-1, que passou a incluir riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos das empresas, se torna uma aliada. Mas, só se sair do papel e for efetivada de forma eficiente. A norma obriga o registro e monitoramento de fatores como pressão abusiva e falhas de gestão. O Ministério do Trabalho e Emprego deu prazo até 26 de maio para adequação, sob pena de multas e sanções.