Apoio emocional reduz depressão em idosos

O apoio emocional, como ter com quem conversar e criar vínculos afetivos, está diretamente associado à redução de sintomas depressivos em idosos. Problema de saúde pública, a depressão afeta mais de 25 milhões de pessoas no mundo, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).

Por Ana Beatriz Leal

O apoio emocional, como ter com quem conversar e criar vínculos afetivos, está diretamente associado à redução de sintomas depressivos em idosos. Problema de saúde pública, a depressão afeta mais de 25 milhões de pessoas no mundo, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).

 

Em pessoas com mais de 60 anos, o problema cresce de forma acelerada e aumenta o risco de mortalidade, agravamento de doenças crônicas, declínio cognitivo e suicídio.

 

Uma meta-análise internacional com quase 24 mil idosos, publicada no American Journal of Epidemiology, revela que, enquanto o suporte emocional apresentou efeito protetor consistente contra a depressão, o apoio instrumental, ou seja, ajuda prática em tarefas do dia a dia, não teve o mesmo impacto positivo e, em alguns grupos, esteve associado a maior sofrimento psíquico. Ajuda sem vínculo afetivo pode gerar insegurança e sensação de abandono.

 

Receber apoio emocional é ser escutado, é ter alguém com quem compartilhar medos e angústias. Isto reduz a solidão, um dos principais fatores ligados à depressão na velhice.

 

Apesar das evidências, fatores estruturais da sociedade dificultam o cuidado. O etarismo, preconceito e discriminação contra pessoas idosas, contribui para o isolamento, a invisibilização e a negligência emocional, além de reforçar uma lógica de cuidado limitada apenas às necessidades físicas. Atrelado a isto, está um modelo de saúde cada vez mais acelerado e desumanizado, que reduz o tempo de escuta e enfraquece o vínculo entre profissionais, famílias e idosos.