Brasil no topo do ranking de bilionários na AL

Segundo relatório da Oxfam, 66 pessoas acumulam juntas cerca de US$ 253 bilhões (aproximadamente R$ 1,26 trilhão). O valor equivale a quase 20% de todo o Orçamento da União para 2026, que é de R$ 6,54 trilhões.

Por Ana Beatriz Leal

Problema secular, a desigualdade abissal no Brasil não cansa de dá mostras. Enquanto muita gente passa fome, trabalha em escala 6x1 ou na informalidade, o país concentra o maior número de bilionários da América Latina e do Caribe. Segundo relatório da Oxfam, 66 pessoas acumulam juntas cerca de US$ 253 bilhões (aproximadamente R$ 1,26 trilhão). O valor equivale a quase 20% de todo o Orçamento da União para 2026, que é de R$ 6,54 trilhões.
 

Um fator determinante para a concentração de riqueza é um sistema tributário historicamente regressivo. Enquanto parte da arrecadação no país recai sobre o consumo e a renda do trabalho, o que consequentemente penaliza de forma desproporcional famílias de baixa renda, mulheres e pessoas negras, as rendas do capital têm pouca tributação. 
 

Não há como negar que a desigualdade é resultado de escolhas políticas. Quando poucos concentram tanto dinheiro e pagam proporcionalmente menos impostos, a sociedade é prejudicada. Há de se reconhecer, no entanto, o avanço aprovado pelo governo federal. A recente reforma do Imposto de Renda, com isenção para quem ganha até R$ 5 mil mensais. Mas, é preciso taxar os lucros e dividendos, grandes fortunas e heranças. 
 

Além de aprofundar as desigualdades, que tanto infelicitam a população brasileira, também fragilizam a democracia. A Oxfam analisa ainda que, enquanto os super-ricos acumulam patrimônio em ritmo acelerado e desrespeitoso, governos em diferentes países optam por proteger os interesses dos endinheirados, em vez de investir em redistribuição de renda, garantia de direitos e combate à pobreza.