Infância sob pressão. Transtornos mentais disparam 

Na Bahia, as internações por transtornos mentais entre pessoas de 0 a 19 anos dobraram em cinco anos. Passaram de 237 em 2020 para 482 em 2024, alta de 103%, segundo o Sistema de Informações Hospitalares do SUS. 

Por Ana Beatriz Leal

Alterações no sono, no apetite, irritabilidade e isolamento social já não são sinais restritos à vida adulta. Cada vez mais cedo, crianças e adolescentes apresentam quadros de ansiedade e depressão. Na Bahia, as internações por transtornos mentais entre pessoas de 0 a 19 anos dobraram em cinco anos. Passaram de 237 em 2020 para 482 em 2024, alta de 103%, segundo o Sistema de Informações Hospitalares do SUS. 
 

No mesmo período, o crescimento geral de internações em todas as idades foi de 40,6%, bem menor. Saíram de 4.586 para 6.448. Especialistas apontam que o agravamento da crise tem relação direta com os efeitos da pandemia e com o uso excessivo de telas e redes sociais. 
 

Estudo da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), publicado em 2023, identificou que, entre crianças, a exposição excessiva às telas está associada a um aumento de 72% nos casos de depressão. Ainda assim, o debate público avança lentamente, enquanto o cotidiano infantil segue mediado por dispositivos digitais, muitas vezes sem acompanhamento adequado de adultos ou políticas educativas.
 

Campanhas como o Janeiro Branco ajudam a ampliar a discussão, mas são insuficientes diante do problema. Priorizar a saúde mental na infância exige, além de conscientização, políticas públicas estruturadas, orientação às famílias, limites para o uso de telas e uma rede de apoio efetiva.