Recorde de afastamentos por doenças
Enquanto trabalhadores adoecem, o custo recai sobre a Previdência Social e o SUS, não sobre as empresas que sustentam o modelo. Após 15 dias de afastamento, é o Estado que assume o pagamento do benefício, desde que o trabalhador passe por perícia e apresente laudos médicos.
Por Itana Oliveira
O mercado de trabalho brasileiro avança na lógica do esgotamento. Dados do Ministério da Previdência Social mostram que o país fechou 2025 com cerca de 4 milhões de afastamentos por doença, o maior número dos últimos cinco anos. O dado escancara um modelo produtivo baseado em jornadas extensas, metas abusivas e pressão constante, um sistema que adoece para manter altos lucros.
As doenças da coluna lideram os afastamentos. Só a dorsalgia respondeu por 237 mil licenças, seguida por problemas como hérnia de disco, com 208 mil casos. Mas é na saúde mental que o cenário é mais grave. Mais de 546 mil trabalhadores foram afastados por transtornos psíquicos em 2025, novo recorde. Ansiedade e depressão são o segundo maior motivo de licenças.
Enquanto trabalhadores adoecem, o custo recai sobre a Previdência Social e o SUS, não sobre as empresas que sustentam o modelo. Após 15 dias de afastamento, é o Estado que assume o pagamento do benefício, desde que o trabalhador passe por perícia e apresente laudos médicos.
O cenário escancara mais uma contradição do capitalismo, que protege resultados e metas, sempre querendo aumentar o lucro, mas empurra para o poder público, e para o próprio trabalhador, as consequências de um ambiente de trabalho insalubre.
