Desinteresse das empresas com a saúde do trabalhador

Ano passado, o país também bateu recorde de afastamentos por saúde mental, 546 mil no total. O dado, que deveria chocar, mostra o descompasso entre o discurso institucional e a prática nos locais de trabalho.

Por Ana Beatriz Leal

Preocupante a constatação de uma pesquisa nacional de que a maioria das empresas não entende as mudanças previstas na NR-1, que entra em vigor em maio deste ano. A Norma Regulamentadora estabelece diretrizes gerais de saúde, inclusive mental e segurança no trabalho.

 

De acordo com o levantamento realizado pela Heach Recursos Humanos, entre 6 e 22 de janeiro de 2026, com 1.730 empresas brasileiras, 68% das organizações afirmam não compreender claramente o que muda com a nova norma; e 62% não possuem qualquer indicador formal para identificação e monitoramento de riscos psicossociais.

 

Além disto, 58% das empresas admitem que só reagiriam a problemas de saúde mental após afastamentos, denúncias formais ou ações judiciais. O que deixa evidente um modelo de gestão que despreza o bem-estar do trabalhador e o enxerga apenas como número.

 

A negligência é reforçada nos dados recentes apresentados pelo Ministério da Previdência Social, de que o Brasil registrou no ano passado 4 milhões de licenças de trabalho. O maior número em cinco anos. Em relação a 2024, o aumento foi de 17,1%.

 

Ano passado, o país também bateu recorde de afastamentos por saúde mental, 546 mil no total. O dado, que deveria chocar, mostra o descompasso entre o discurso institucional e a prática nos locais de trabalho.

 

Apesar de 78% das empresas afirmem se preocupar com saúde mental, somente 23% possuem políticas formais, orçamento dedicado e indicadores claros. Em 64% dos casos, o assunto é tratado pontualmente, com ações isoladas ou benefícios desconectados da estratégia organizacional