Diabetes em alta é culpa do lucro no sistema alimentar

Enfrentar o avanço da diabetes exige políticas públicas de educação alimentar, prevenção e cuidado contínuo.

Por Julia Portela

O número de adultos com diabetes no Brasil mais do que dobrou em menos de duas décadas e expõe o fracasso de um modelo que subordina a saúde pública aos interesses do mercado. A prevalência da doença saltou de 5,5% em 2006 para 12,9% em 2024, um aumento de 135%, segundo dados recentes.

 

 

O aumento preocupante está diretamente ligado a um sistema alimentar dominado pela lógica do lucro, que inunda prateleiras com produtos ultraprocessados, disfarçados de praticidade ou falsa saudabilidade, enquanto empurra a população para o adoecimento.

 

 

A alimentação deixou de ser tratada como direito básico e passou a ser refém de um capitalismo predatório, que vende veneno em embalagens coloridas e transforma tempo escasso em justificativa para o consumo de produtos nocivos.

 

 

Os alimentos apresentados como saudáveis carregam processos industriais e transgênicos que priorizam escala e rentabilidade, não o cuidado com a vida. O resultado é um cenário de adoecimento em massa, com impacto direto sobre trabalhadores, que arcam com as consequências deste modelo.

 

 

Enfrentar o avanço da diabetes exige políticas públicas de educação alimentar, prevenção e cuidado contínuo. Defender alimentação saudável tornou-se ato de resistência diante de um sistema que normaliza a pressa, precariza escolhas e transfere para o indivíduo a culpa por um problema estrutural.

 

 

Garantir saúde é responsabilidade do Estado e passa, necessariamente, pelo enfrentamento ao ultraliberalismo que transforma comida em mercadoria e doença em negócio.