Tecnologia sem controle gera violência

Relatório do Unicef aponta que as denúncias de crimes cibernéticos cresceram 28% em 2025, confirmando a escalada de abusos no ambiente virtual

Por Julia Portela

A violência digital avança nas escolas brasileiras e expõe a urgência de enfrentar o uso criminoso da tecnologia. Levantamento da SaferNet Brasil, divulgado nesta terça-feira (10/02) no Dia da Internet Segura, identificou 173 vítimas de deepfakes sexuais em instituições públicas e privadas de dez estados. O dado revela um cenário alarmante de violação de direitos dentro de espaços que deveriam ser de proteção e formação.

 

Relatório do Unicef aponta que as denúncias de crimes cibernéticos cresceram 28% em 2025, confirmando a escalada de abusos no ambiente virtual. A manipulação de imagens para produzir conteúdos falsos de cunho sexual atinge principalmente jovens e mulheres, reproduzindo violências estruturais e ampliando o sofrimento das vítimas.

 

A expansão desses crimes está diretamente ligada à ausência de regulação eficaz das plataformas digitais, que operam sob lógica de mercado e priorizam lucro em detrimento da segurança. A falta de fiscalização robusta e de mecanismos ágeis de responsabilização cria terreno fértil para a impunidade.

 

Garantir segurança no ambiente digital é uma pauta de direitos humanos, principalmente na época de eleição. O enfrentamento aos deepfakes exige legislação mais rigorosa, atuação firme do Estado e responsabilização das empresas de tecnologia. A proteção da dignidade não pode ser subordinada aos interesses das grandes corporações digitais.