Bilionário acumula sem produzir nada
Se apenas um dos 300 bilionários do Brasil investir R$ 1 bilhão na compra de títulos do governo atrelados à Selic, que pagam 15% de juros ao ano, vai ganhar R$ 400 mil ao dia, sem produzir absolutamente nada.
Por Ana Beatriz Leal
A concentração de renda e a desigualdade social no Brasil são aberrantes. Assim, em uma economia desigual, não há margem para o pequeno se desenvolver. É claro que o problema é secular, mas existem travas que podem e devem deixar de existir para que o país cresça e a população tenha um pouco de dignidade. É o caso da Selic.
Diferentemente do que acontece com a imensa maioria da população brasileira, o andar mais alto da sociedade segue enriquecendo, mesmo sem oferecer contrapartida para o país. Se apenas um dos 300 bilionários do Brasil investir R$ 1 bilhão na compra de títulos do governo atrelados à Selic, que pagam 15% de juros ao ano, vai ganhar R$ 400 mil ao dia, sem produzir absolutamente nada. Como o terreno é fértil, quanto mais rico mais se aplica dinheiro, o enriquecimento ocorre em escala crescente. É um sistema que não gera recursos, apenas os drena. Não por acaso, há uma resistência do
Congresso Nacional em resolver a questão. Basta observar que diversos parlamentares mantêm aplicações financeiras e se beneficiam com juros tão altos.
Contrariando os interesses da população, o Congresso não aprovou a taxação dos super-ricos. A fortuna dos 300 bilionários do Brasil soma R$ 2,01 trilhões, ou 17,1% do PIB (Produto Interno Bruto). Portanto, taxá-los é uma forma eficiente de combater a pobreza e tirar o país da 5ª posição entre 216 nações em desigualdade de renda.
