Café em alta no Brasil
O avanço chega em um momento quando o Brasil reafirma posição como líder global na produção e exportação de café, um ativo importante não apenas para o agronegócio, mas para toda a cadeia produtiva nacional.
Por Caio Ribeiro
A primeira estimativa da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) para a safra de café, este ano, indica um crescimento robusto da produção, projetando 66,2 milhões de sacas, avanço de cerca de 17% em relação ao ano anterior e o maior volume da série histórica da estatal. O resultado é atribuído à combinação de bienalidade positiva da cultura, expansão da área plantada e clima favorável, refletindo um movimento de retomada da produtividade no maior setor agrícola de commodities do país.
O avanço chega em um momento quando o Brasil reafirma posição como líder global na produção e exportação de café, um ativo importante não apenas para o agronegócio, mas para toda a cadeia produtiva nacional. Embora os números sejam positivos e tragam perspectivas de receita e empregos no campo, é essencial que o crescimento da produção se traduza também em políticas públicas que garantam renda digna aos produtores e estabilidade ao mercado interno, protegendo trabalhadores rurais e consumidores frente às pressões de preço no varejo.
Para além dos indicadores de safra, este cenário reforça um ponto crítico para o conjunto da economia brasileira: investimentos em infraestrutura logística, seguros agrícolas, acesso ao crédito e políticas de estoques estratégicos são fatores que podem potencializar o impacto de safras recordes na vida dos trabalhadores e nas comunidades produtivas. Uma produção maior precisa ser sinônimo de desenvolvimento e valorização do trabalho, não apenas de números exportados.
