Lucro destrói, trabalhador paga

O desmonte do Estado, a precarização da infraestrutura urbana e produtiva e a falta de investimentos em prevenção ampliam os impactos sobre cidades, o campo e, principalmente, sobre a classe trabalhadora.

Por Julia Portela

Relatório da corretora e consultora internacional de riscos Aon revela que os desastres climáticos registrados no Brasil, ano passado, geraram prejuízos de US$ 5,4 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 28,3 bilhões. O levantamento escancara o custo econômico de eventos extremos que se tornam cada vez mais frequentes em um país marcado pela ausência de planejamento e pela fragilização de políticas públicas.

 

Longe de serem tragédias naturais inevitáveis, os prejuízos resultam de escolhas políticas orientadas por um modelo que prioriza o lucro e trata a crise climática como detalhe. O desmonte do Estado, a precarização da infraestrutura urbana e produtiva e a falta de investimentos em prevenção ampliam os impactos sobre cidades, o campo e, principalmente, sobre a classe trabalhadora.

 

Enquanto o sistema financeiro, grandes empresas e o agronegócio seguem ampliando lucros e metas, os trabalhadores pagam a conta da destruição ambiental, perdem casas, renda, direitos e segurança. O custo da reconstrução recai sobre o esforço coletivo, financiado pelo trabalho de quem já vive sob precarização, enquanto as elites econômicas permanecem blindadas, lucrando com um modelo que produz desastre, desigualdade e mortes