Bets que drenam a renda dos trabalhadores
A recorrência das apostas, mesmo em valores aparentemente baixos, cria um ciclo contínuo de perdas e pressiona ainda mais a renda das famílias, já afetadas pelo alto custo de vida.
Por Julia Portela
Prometendo dinheiro fácil e rápido, as plataformas de apostas online têm avançado sobre a renda da população e aprofundado o endividamento no país. Dados do Ministério da Fazenda do Brasil, obtidos via LAI (Lei de Acesso à Informação) pela empresa Pay4Fun, revelam que um em cada cinco brasileiros que apostam gasta mais de R$ 1 mil por mês. Ao todo, 19,5% dos usuários, cerca de 4,3 milhões de pessoas, já comprometem parte significativa do orçamento com as chamadas “bets”.
O crescimento deste mercado ocorre impulsionado por publicidade massiva e pela falsa ideia de lucro garantido, enquanto transfere prejuízos diretamente para os trabalhadores. A recorrência das apostas, mesmo em valores aparentemente baixos, cria um ciclo contínuo de perdas e pressiona ainda mais a renda das famílias, já afetadas pelo alto custo de vida.
Diante do avanço dos casos de compulsão, o Ministério da Saúde do Brasil passou a tratar o tema como questão de saúde pública e lançou um serviço de teleatendimento gratuito pelo SUS para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas. A iniciativa prevê cerca de 600 atendimentos mensais, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, como tentativa de conter os danos causados pela expansão descontrolada das plataformas.
O cenário expõe a urgência de enfrentar um modelo que lucra com a vulnerabilidade da população. A ampliação da regulação, o controle da publicidade e a criação de mecanismos de proteção, como a autoexclusão, tornam-se essenciais diante de um mercado que avança sobre o orçamento das famílias trabalhadoras e aprofunda desigualdades sociais.
