Saúde mental em colapso

A pesquisa, realizada com 118.099 alunos de 4.167 escolas públicas e privadas em 2024, desmonta o discurso de normalidade e evidencia uma geração atravessada por insegurança, pressão e falta de perspectivas.

Por Júlia Portela

O avanço do adoecimento mental entre adolescentes brasileiros expõe o impacto direto de um modelo social excludente sobre a juventude. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, divulgada nesta quarta-feira (25/03) pelo IBGE, revelam que três em cada dez estudantes de 13 a 17 anos se sentem tristes com frequência, enquanto parcela semelhante admite já ter tido vontade de se machucar.

 

A pesquisa, realizada com 118.099 alunos de 4.167 escolas públicas e privadas em 2024, desmonta o discurso de normalidade e evidencia uma geração atravessada por insegurança, pressão e falta de perspectivas. Não se trata de casos isolados, mas de um fenômeno coletivo que reflete a ausência de políticas públicas eficazes.

 

Os números são ainda mais graves: 42,9% dos estudantes relatam irritação constante e 18,5% afirmam pensar com frequência que a vida não vale a pena. O sofrimento psíquico cresce em um cenário marcado por desigualdade, redes sociais sem regulações competitividade extrema e ausência de suporte institucional, especialmente para jovens trabalhadores.

 

Romper com a lógica de negligência e enfrentar as causas estruturais desse adoecimento é urgente. Garantir investimento em educação pública, ampliar o acesso à saúde mental e assegurar condições dignas de vida não é opção, mas necessidade para impedir que uma geração inteira seja empurrada ao esgotamento.