Crédito público vira arma contra desmatadores

A medida atinge um setor do agronegócio que, reiteradamente, resiste a qualquer forma de regulação e prioriza o lucro acima da preservação e do interesse coletivo.

Por Julia Portela

Após anos de pressão para conter o desmatamento na Amazônia, uma nova medida passa a responsabilizar também o sistema financeiro no enfrentamento aos crimes ambientais. Desde a semana passada, bancos passam a verificar, com base em dados de satélite, se há irregularidades ambientais nas propriedades de quem solicita crédito rural subsidiado.

 

A regra determina que produtores com áreas desmatadas após julho de 2019 só terão acesso ao crédito mediante comprovação de licenciamento ambiental. Na prática, o acesso a recursos públicos passa a estar condicionado ao cumprimento da legislação, atingindo diretamente quem historicamente lucra com a destruição ambiental.

 

A medida atinge um setor do agronegócio que, reiteradamente, resiste a qualquer forma de regulação e prioriza o lucro acima da preservação e do interesse coletivo. Ao vincular crédito à regularidade ambiental, o governo utiliza um instrumento econômico para frear práticas predatórias que avançam sobre a floresta e impactam comunidades inteiras.

 

O controle sobre bilhões em crédito subsidiado se consolida como ferramenta estratégica na luta contra o desmatamento, deslocando o debate para a prática. Em um cenário de crise climática, restringir o financiamento a quem desrespeita a lei deixa de ser opção e passa a ser necessidade urgente em defesa do meio ambiente e da população.