Salários mostram abismo raciais na Bahia 

Uma lógica racista que ainda limita o acesso à educação de qualidade, à qualificação profissional e às redes de oportunidade, mantendo barreiras que se reproduzem no mercado de trabalho.

Por Julia Portela

A desigualdade racial pesa ainda mais no bolso de quem trabalha na Bahia e se expressa de forma ainda mais evidente em Salvador, capital com maioria da população negra. Dados do Relatório de Transparência Salarial do primeiro semestre de 2026, do Ministério do Trabalho e Emprego, mostram que trabalhadores negros recebem, em média, R$ 3 mil a menos do que os brancos no Estado. Enquanto a remuneração média de pessoas brancas chega a R$ 9.109,45, a de pessoas negras é de R$ 5.934,43.


Esse abismo não é casual. É resultado de um modelo histórico que empurra a população negra para a informalidade e para os postos mais precarizados, realidade amplamente presente na capital baiana. Uma lógica racista que ainda limita o acesso à educação de qualidade, à qualificação profissional e às redes de oportunidade, mantendo barreiras que se reproduzem no mercado de trabalho.


Mesmo sendo maioria na Bahia e principalmente em Salvador, a população negra segue fora dos espaços de poder. A presença é reduzida em cargos de liderança, nas carreiras mais bem remuneradas e nos empregos formais com proteção social, evidenciando a permanência das desigualdades estruturais no principal centro econômico do Estado.


Quando se cruza raça e gênero, a desigualdade é ainda mais profunda. Em comparação com o salário médio dos homens não negros, grupo mais bem remunerado, as mulheres negras baianas recebem R$ 2.473,89 a menos. A renda média dessas mulheres é de R$ 2.645,93, o que as coloca na base da pirâmide salarial. Ainda assim, são 286.920 vínculos empregatícios, o equivalente a 34,4% do total, formando o segundo maior grupo no mercado de trabalho, atrás apenas dos homens negros, realidade que se reflete diretamente em Salvador.