Produzir até cair: retrato do trabalho hoje

Os números deixam evidente que o adoecimento não é pontual, mas sim consequência de um modelo que naturaliza a exploração e transforma sofrimento em regra dentro das empresas.

Por Julia Portela

O salto nos afastamentos por burnout no Brasil expõe o esgotamento de brasileiros submetidos a condições cada vez mais duras. Dados do Ministério da Previdência Social mostram crescimento de 823% em quatro anos, revelando o impacto direto de jornadas exaustivas, metas abusivas e pressão constante no cotidiano de trabalho.

 

O avanço também aparece nas denúncias ao MPT (Ministério Público do Trabalho), que saltaram de 190 para 1.022 entre 2021 e 2025, aumento de 438%. Os números deixam evidente que o adoecimento não é pontual, mas sim consequência de um modelo que naturaliza a exploração e transforma sofrimento em regra dentro das empresas.

 

Diante da gravidade, o governo Lula anunciou a atualização da NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1), prevendo punições a empresas que negligenciem riscos psicossociais. A medida representa um avanço, mas ainda enfrenta resistência de setores empresariais apoiados pela extrema direita, que lucram com a precarização e insistem em ignorar a saúde da população.

 

Especialistas apontam que vínculos precários, baixos salários e metas inalcançáveis sustentam o cenário de adoecimento. A falta de auditores fiscais agrava o problema e limita a fiscalização. O crescimento levanta urgência de medidas mais duras e da organização dos trabalhadores por condições dignas e por um ambiente de trabalho que não adoeça quem produz a riqueza do país.