Burnout, o sofrimento psíquico que tira o sono
As denúncias relacionadas à saúde mental no trabalho saíram de 190 para 1.022 entre 2021 e 2025, elevação de cerca de 438%, ou 832 registros a mais.
Por Ana Beatriz Leal
Enquanto o Congresso trama contra o trabalhador e discute formas de adiar o fim da escala 6x1, o país assiste ao avanço do adoecimento mental relacionado ao trabalho. É o caso da síndrome de burnout. Para quem sofre com a doença, pensar no expediente é um verdadeiro martírio. A angústia começa ainda à noite, com insônia, palpitações e exaustão extrema.
Trabalhar se torna quase impossível. Não à toa, os afastamentos por esgotamento profissional dispararam 823% nos últimos quatro anos no Brasil, aponta o Ministério da Previdência Social. Já os riscos psicossociais representam perda anual equivalente a 1,37% do PIB (Produto Interno Bruto) global, de acordo com estimativa da OIT (Organização Internacional do Trabalho).
No ano passado foram concedidos 7.595 benefícios por incapacidade temporária por esgotamento profissional. Em 2021 eram 823, quase nove vezes mais. No Ministério Público do Trabalho, crescimento também. As denúncias relacionadas à saúde mental no trabalho saíram de 190 para 1.022 entre 2021 e 2025, elevação de cerca de 438%, ou 832 registros a mais.
Na terça-feira, entram em vigor as atualizações da NR! (Norma Regulamentadora nº 1), que obrigam as empresas a incluir riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos. Sem dúvida, importante, mas é preciso rigor na fiscalização e punição em caso de descumprimento.


