Avanço da IA exige proteção ao emprego

No setor bancário, a discussão é urgente. Há anos os bancos promovem processos de digitalização, fechamento de agências e redução de quadros de pessoal

Por Ana Beatriz Leal

A recente decisão da Justiça chinesa de considerar ilegal a demissão de trabalhadores apenas para substituí-los por Inteligência Artificial lança um debate que o Brasil não pode adiar. A transformação tecnológica é inevitável e pode trazer benefícios para a sociedade, mas não pode servir como justificativa para a eliminação indiscriminada de empregos e a precarização das relações de trabalho.
 

No setor bancário, a discussão é urgente. Há anos os bancos promovem processos de digitalização, fechamento de agências e redução de quadros de pessoal. Somente em 2025, foram eliminados 8.910 postos de trabalho, segundo levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) com base nos dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Em 2024, as empresas fecharam 6.198 vagas.
 

Ao mesmo tempo, o setor bancário está investido pesado em IA. De acordo com a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2025, oito em cada 10 bancos brasileiros já incorporaram inteligência artificial generativa nas operações, enquanto os investimentos em tecnologia devem alcançar R$ 47,8 bilhões.
 

A IA já é uma realidade. O debate não deve ser sobre ser contra ou a favor da tecnologia. A questão central é quem ficará com os ganhos proporcionados pela inteligência artificial. Resta saber se a inovação será utilizada para melhorar as condições de trabalho, reduzir a sobrecarga e qualificar os trabalhadores, ou se servirá apenas para cortar custos e eliminar empregos.
 

A experiência chinesa demonstra que o avanço tecnológico pode caminhar ao lado da proteção ao trabalho. O Brasil precisa construir regras, mecanismos de negociação coletiva e políticas públicas capazes de garantir que a inteligência artificial seja uma ferramenta de desenvolvimento econômico e social, e não um instrumento de exclusão de trabalhadores do sistema financeiro.