Letalidade policial tem alvo: a população negra

O levantamento também revela que 64,8% das vítimas tinham até 29 anos, incluindo 310 crianças e adolescentes. Nesse cenário, pessoas negras têm, em média, quatro vezes mais chances de morrer em intervenções policiais do que pessoas brancas.

Por Caio Ribeiro

A violência policial segue atingindo de forma desproporcional a população negra no Brasil. Dados da 7ª edição do relatório “Pele Alvo – entre Racismo e Letalidade, o Amanhã”, divulgados pela Rede de Observatórios e pelo CESeC (Centro de Estudos de Segurança e Cidadania), mostram que 86,3% das pessoas mortas em ações policiais em 2025 eram negras (pretas ou pardas). Ao todo, os estados do Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo registraram, juntos, 4.330 mortes em ações policiais, em 2025, alta de 6,4% em relação ao ano anterior.

 

O levantamento também revela que 64,8% das vítimas tinham até 29 anos, incluindo 310 crianças e adolescentes. Neste cenário, pessoas negras têm, em média, quatro vezes mais chances de morrer em intervenções policiais do que pessoas brancas, evidenciando o peso do racismo estrutural na política de segurança pública.

 

Na Bahia, estado com a maior população negra do país, a letalidade policial permanece em níveis alarmantes. Embora o número de mortes tenha recuado de 1.702 em 2023 para 1.570 em 2024, o relatório aponta que, ao longo do ano passado, apenas 19 dos 365 dias não registraram mortes decorrentes de ações policiais.

 

Os dados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas ao enfrentamento do racismo, à valorização da vida e ao fortalecimento dos direitos humanos. Para o movimento sindical, combater as desigualdades raciais também significa defender a democracia, a cidadania e o direito da população a viver com dignidade e segurança.