IA desafia gerações no mercado
Enquanto trabalhadores próximos da aposentadoria enfrentam maior dificuldade para permanecer empregados, os jovens enfrentam um mercado cada vez mais concorrido e exigente.
Por Juliana Ambrozi
Pesquisas apontam que o avanço da IA tem ameaçado o emprego de profissionais mais velhos e imposto novos desafios aos jovens ingressantes no mercado. Enquanto trabalhadores próximos da aposentadoria enfrentam maior dificuldade para permanecer empregados, os jovens enfrentam um mercado cada vez mais concorrido e exigente.
Estudo do Centro de Pesquisa sobre Aposentaria do Boston College, nos Estados Unidos, analisou os efeitos da Inteligência Artificial sobre trabalhadores a partir de 55 anos de idade. Cruzando dados do mercado de trabalho estadunidense, na perspectiva do grau de exposição das profissões à Inteligência Artificial, a pesquisa conclui que a IA tem substituído funções administrativas e intelectuais — especialmente cargos de programação de computadores, contadores e auditores — anteriormente atribuídas à empregados mais experientes.
O estudo também revela que, nas empresas onde a IA já faz parte das rotinas administrativas, os funcionários mais velhos enfrentam maiores dificuldades ao utilizar a ferramenta.
Já a pesquisa da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) aponta que a popularização da IA tem alterado as exigências das empresas sobre os novos empregados. Cada vez mais, os empregadores valorizam habilidades voltadas ao manuseio das novas tecnologias, aplicadas a diferentes funções. Neste contexto, para melhorar as perspectivas de emprego, os candidatos devem, além de se capacitar na área escolhida, também dominar habilidades relacionadas ao trabalho com as novidades tecnológicas.
Embora o relatório da OCDE sugira que o cenário geral do emprego continue favorável, o estudo da Boston College expõe que as ameaças impostas aos profissionais mais velhos existem. Com o avanço desenfreado da IA, a tendência é que as empresas adotem progressivamente o uso da tecnologia em detrimento das funções humanas, enquanto os possíveis novos funcionários necessariamente deverão possuir habilidades para lidar com essas tecnologias e acumular cada vez mais funções.


