Unicef cobra ações pelo fim da violência parental

Embora a legislação brasileira de combate à violência contra crianças seja sólida, existem lacunas na implementação, tornando necessário o fortalecimento dos mecanismos de proteção e a transformação da mentalidade e comportamentos coletivos.

Por Juliana Ambrozi

Recentes casos de agressão parental infantil chocaram o país e ativaram o alerta sobre os limites da educação punitiva contra crianças e adolescentes no Brasil. No Paraná, foi o pai que chutou a filha de três anos e acabou preso. No Rio Grande do Sul, outra criança de três anos não resistiu às agressões do pai. Unicef pede por conscientização e maior eficiência nos mecanismos de proteção à menores.

 

Luis Bittencourt, especialista em proteção infantil do Unicef no Brasil, explica que, embora a legislação brasileira de combate à violência contra crianças seja sólida, existem lacunas na implementação, tornando necessário o fortalecimento dos mecanismos de proteção e a transformação da mentalidade e comportamentos coletivos.

 

“É preciso parar de naturalizar o castigo e a violência física contra meninos e meninas como uma forma de disciplinar. São normas sociais que aceitam o castigo corporal como uma ferramenta de interação válida”.

 

O especialista enfatiza sobre a importância da denúncia em casos de vitimização de menores para a efetivação da lei. Algumas marcas de violência infantil podem ser disfarçadas com roupas compridas e mangas longas, mas é responsabilidade de toda a sociedade estar atento a sinais de abuso parental, como queda de desempenho escolar, agressividade, reclusão e mudanças bruscas de comportamento nas crianças da comunidade.

 

Além da denúncia anônima pelo Disque 100, Luis Bittencourt orienta que, a qualquer sinal de suspeita, também é possível buscar o Conselho Tutelar mais próximo ou autoridade policial que possa intervir e proteger efetivamente a criança e o adolescente vitimizado.