Para a maioria, dupla jornada começa aos 18 anos

A desigualdade é ainda mais acentuada entre as jovens negras, que dedicam mais tempo ao trabalho não remunerado e enfrentam maiores dificuldades para permanecer nos estudos e no mercado de trabalho.

Por Caio Ribeiro

A sobrecarga de trabalho começa cedo para as mulheres brasileiras. Estudo da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), em parceria com a Secretaria Nacional de Cuidados e Família, revela que, a partir dos 18 anos, metade das jovens já acumula dupla ou tripla jornada, conciliando trabalho remunerado, estudos e atividades domésticas e de cuidado.

 

O levantamento também mostra que 90% das mulheres entre 15 e 29 anos realizam tarefas de cuidado, percentual superior ao dos homens da mesma faixa etária. A desigualdade é ainda mais acentuada entre as jovens negras, que dedicam mais tempo ao trabalho não remunerado e enfrentam maiores dificuldades para permanecer nos estudos e no mercado de trabalho.

 

A distribuição desigual das responsabilidades domésticas limita oportunidades de qualificação, emprego, lazer e autonomia financeira, além de ampliar os impactos sobre a saúde física e mental das mulheres. O estudo reforça a necessidade de políticas públicas de cuidado e de uma divisão mais equilibrada dessas tarefas entre homens e mulheres.

 

Os dados evidenciam que a desigualdade de gênero vai além do mercado de trabalho e começa ainda na juventude, afetando o desenvolvimento profissional e a qualidade de vida das mulheres ao longo de toda a vida.