Dia Nacional de Luta da Caixa
Entre os principais temas debatidos, a principal expectativa é a restauração do Saúde Caixa. A medida que a pressão e a sobrecarga crescem nas agências, a saúde do bancário pede por recursos hoje, escassos, deficiência que é sentida pelo cliente na queda de qualidade e eficiência do atendimento nas agências.
Por Juliana Ambrozi
Cliente da Caixa há cerca de 20 anos, Maria de Fátima considera o banco uma referência, principalmente por ser o responsável pelo pagamento do FGTS. Apesar disto, afirma que o atendimento “tem deixado a desejar” e acredita que a redução no número de empregados contribui para a demora nos serviços. Verdade. Em 10 anos, a instituição financeira perdeu cerca de 20 mil empegados.
Ao conhecer as reivindicações apresentadas pelos empregados durante o Dia Nacional de Luta, realizado ontem nas agências Mercês, Relógio de São Pedro e Shopping Piedade, Maria de Fátima passou a enxergar a mobilização com mais empatia. “É preciso estar bem para atender bem”. A percepção da cliente dialoga com a preocupação dos trabalhadores, que estão em campanha salarial e lutam por melhores condições de trabalho, em especial, pelo fim do teto do Saúde Caixa. Atualmente, o custeio do banco é de 6,5% da folha de pagamento.
O diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e atual representante dos empregados na CEE (Comissão Executiva dos Empregados) na mesa da Fenaban, Érico Jesus, reforçou a importância da mobilização em defesa do Saúde Caixa, direito constantemente ameaçado. O diretor ainda denunciou a pressão sofrida pelos representantes dos bancos públicos, como Caixa e BB, em retirar-se das mesas de negociação da Fenaban. Érico salientou a possibilidade de interrupção da produção por parte dos bancários, caso não haja nenhum avanço.
Outros temas abordados foram a necessidade do retorno das substituições em cascata nas agências, da manutenção no PCS (Plano de Cargos e Salários) e PFG (Plano de Funções Gratificadas) e de um atendimento digital funcional sem sobrecarregar o bancário que, muitas vezes, fica responsável pelo atendimento online e presencial simultaneamente.
A diretora da Federação da Bahia e Sergipe, Karem Santana, trouxe conquistas importantes. No interior do Estado, a Caixa firmou parceria com a rede Cassi para atender funcionários. Entretanto, em Salvador, a possibilidade de parceria com a Central Unimed segue incerta. Karem destaca que o desafio agora é ainda mais difícil, desde a inclusão do teto do plano de saúde no Estatuto da Caixa, o que reforça a importância da união da categoria em busca pelos direitos.
Funcionária da Caixa há 20 anos, Wilma Almeida acredita que falta de estacionamento e a dificuldade de deslocamento até a agência tem causado a evasão dos clientes, em maioria idosos, nas agências, em contraste com a sobrecarga nas demandas digitais. Apesar disso, a pressão por metas é cada dia maior, contribuindo com um clima de estresse e desgaste mental no ambiente de trabalho.
Entre os principais temas debatidos, a maior expectativa é a restauração do Saúde Caixa. À medida que a pressão e a sobrecarga crescem nas agências, a saúde do bancário pede por recursos hoje, escassos, deficiência que é sentida pelo cliente na queda de qualidade e eficiência do atendimento nas agências.


