Eleições de 2026 sob influência da IA
A principal preocupação é a facilidade de produzir conteúdos manipulados que podem confundir os eleitores e espalhar desinformação durante as campanhas. Especialistas avaliam que as próximas eleições podem servir para avaliar se as regras atuais serão suficientes para acompanhar a evolução da ferramenta.
Por Juliana Ambrozi
As eleições deste ano devem ser um dos maiores testes para o uso da inteligência artificial na política brasileira. O avanço das ferramentas capazes de criar vídeos, imagens e áudios muito parecidos com a realidade, acendeu o alerta sobre os impactos da tecnologia no processo democrático.
Dados do laboratório de comunicação Projeto Brief apontam que 70% dos entrevistados acreditam que a IA pode ser usada para influenciar as eleições. Na mesma pesquisa, menos da metade dos participantes conseguiu identificar que um vídeo apresentado foi manipulado por inteligência artificial. Os números mostram que grande parte da população ainda tem dificuldade para reconhecer conteúdos artificiais.
Buscando manter controle sobre o uso e impacto da IA nas eleições deste ano, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) determinou uma série de restrições, como a proibição de criação de conteúdos manipulados para favorecer ou prejudicar candidaturas, de ranqueamento ou recomendações de candidatos por sistemas de IA e de publicação ou impulsionamento de conteúdos sintéticos envolvendo pessoas públicas nas 72 horas anteriores e nas 24 horas posteriores à votação.
As restrições, porém, não eliminam o potencial da IA de moldar percepções, direcionar narrativas e influenciar o comportamento do eleitorado, visto que uma simples comparação de propostas realizada por um chatbot pode ter caráter meramente informativo ou, a depender da seleção e apresentação das fontes, ainda funcionar como recomendação eleitoral. Além disto, as medidas não alcançam os conteúdos gerados e compartilhados pelo próprio eleitorado quando não há envolvimento direto dos candidatos.
A principal preocupação é a facilidade de produzir conteúdos manipulados que podem confundir os eleitores e espalhar desinformação durante as campanhas. Especialistas avaliam que as próximas eleições podem servir para avaliar se as regras atuais serão suficientes para acompanhar a evolução da ferramenta.
Além do desafio para os eleitores, o tema também preocupa autoridades e plataformas digitais. Medidas mais severas de transparência sobre o uso da IA nas campanhas, além de sistemas mais ágeis e eficientes de checagem tornam-se cada vez mais necessários para preservar a integridade do processo democrático.


