Assustadora supremacia dos bancos brasileiros

Os bancos brasileiros, que ainda não deram retorno sobre as cláusulas econômicas na campanha salarial dos bancários, lucraram, no ano passado, US$ 45,8 bilhões. De acordo com a Federação Latino-americana de Bancos, o montante é mais do que a soma dos ganhos (US$ 43 bilhões) de instituições financeiras associadas à Felaban, em outros 15 países latino-americanos. 

Por Ana Beatriz Leal

A supremacia do setor bancário é algo incontestável. Vai além de opinião, está nos números. Os bancos brasileiros, que ainda não deram retorno sobre as cláusulas econômicas na campanha salarial dos bancários, lucraram, no ano passado, US$ 45,8 bilhões. De acordo com a Federação Latino-americana de Bancos, o montante é mais do que a soma dos ganhos (US$ 43 bilhões) de instituições financeiras associadas à Felaban, em outros 15 países latino-americanos. 
 

A distância da lucratividade do Brasil para outros países é enorme, o que comprova a solidez financeira e a capacidade de atendimento das reivindicações da categoria. A lista ainda tem entre os países mais lucrativos México (US$ 17 bilhões), Chile (US$ 5,8 bilhões), Peru (US$ 4,2 bilhões) e Colômbia (US$ 3,8 bilhões).
 

O resultado dos bancos ano passado representa uma elevação de 34% sobre o resultado de 2024, que somou US$ 34,1 bilhões. Outro dado que comprova o desempenho estrondoso é o ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido), que chegou a 16,7%, o maior desde a pandemia de Covid-19. 
 

Uma das explicações para a lucratividade ascendente é a Selic, hoje em 14,25% ao ano, maior taxa de juros reais do planeta. Em meio ao poderio do sistema financeiro, os bancos seguem fechando agências e demitindo. A categoria, que reivindica a reposição do INPC mais 5% de aumento real nos salários e demais verbas, espera uma postura diferente na próxima negociação da campanha salarial, que acontece na terça-feira (04/08), quando a Fenaban promete uma devolutiva sobre as questões econômicas.