Lucro recorde Itaú
Na prática, não faltam recursos. O que tem de sobra, além de dinheiro, é má vontade. Os números mostram. A margem financeira gerencial atingiu R$ 33,5 bilhões, o retorno sobre o patrimônio líquido anualizado ficou em 24,3%, acima das projeções do mercado.
Por Julia Portela
O lucro bilionário do Itaú expôs mais uma vez a contradição do discurso apresentado pela Fenaban na mesa de negociação da campanha salarial. Enquanto a Federação chegou a defender que a PLR (Participação nos Lucros e Resultados) não seja reajustada, o maior banco privado do país anunciou lucro líquido recorrente de R$ 12,4 bilhões no segundo trimestre, alta de 7,8% em relação ao mesmo período do ano passado. No primeiro semestre, o resultado alcançou R$ 24,68 bilhões.
Na prática, não faltam recursos. O que tem de sobra, além de dinheiro, é má vontade. Os números mostram. A margem financeira gerencial atingiu R$ 33,5 bilhões, o retorno sobre o patrimônio líquido anualizado ficou em 24,3%, acima das projeções do mercado, e a carteira de crédito expandida chegou a R$ 1,5 trilhão, crescimento de 9,6% em 12 meses.
A realidade dos bancários, no entanto, caminha em sentido oposto. Mesmo com resultados cada vez mais robustos, o Itaú segue reduzindo a estrutura de atendimento. O número de agências caiu para 2.210 no fim do primeiro semestre, contra 2.738 um ano antes.
A consequência é conhecida: sobrecarga, filas maiores, adoecimento da categoria e piora no atendimento à população, enquanto a produtividade dos empregados continua sustentando lucros recordes.
A tentativa da Fenaban de justificar o congelamento da PLR sob o argumento de maior concorrência no sistema financeiro não encontra respaldo nos balanços das empresas. Se há bilhões para remunerar acionistas, também há condições de atender às reivindicações.


