Saúde mental não se resume ao Setembro Amarelo
Medo de ataques ou julgamento, sentimento de cobrança para se manter online e a sensação de insatisfação com a própria vida são alguns dos sintomas causados pelo excesso de informações e a exposição diária e ilimitada aos dispositivos e ambientes digitais, potenciais gatilhos ao desenvolvimento de transtornos de ansiedade e depressão.
Por Juliana Ambrozi
Os transtornos e doenças mentais têm se tornado uma realidade para cada vez mais pessoas ao redor do mundo. Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) revelam que os mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais.
O modo de vida contemporâneo é marcado pela cultura da hiperconectividade e superprodutividade, fenômenos que se refletem na cobrança, muitas vezes silenciosa, quanto a estar sempre conectado, produzindo e consumindo informações, fatores que levam o cérebro ao estado de constante alerta e sobrecarga.
Medo de ataques ou julgamento, sentimento de cobrança para se manter online e a sensação de insatisfação com a própria vida são alguns dos sintomas causados pelo excesso de informações e a exposição diária e ilimitada aos dispositivos e ambientes digitais, potenciais gatilhos ao desenvolvimento de transtornos de ansiedade e depressão.
Em muitos casos, o adoecimento mental se agrava e traz consequências fatais. Neste cenário, a campanha do Setembro Amarelo, de conscientização sobre a prevenção do suicídio e valorização da vida, ganha ainda mais força. Mas, é preciso lembrar que o tema é urgente ao longo de todo o ano.
O Setembro Amarelo é fundamental para abrir o debate, mas o sofrimento mental e o risco de suicídio não têm data para acontecer. Falar sobre o assunto, de janeiro a janeiro, é necessário para quebrar o estigma do preconceito e reforçar a busca por ajuda.


