Os riscos de assassinato dos negros no Brasil: 49%
Segundo os dados, pessoas pretas e pardas representaram quase 78% das vítimas de homicídio no Brasil naquele ano, enquanto pessoas brancas corresponderam a pouco mais de 21%.
Por Itana Oliveira
A constante militância por parte dos grupos identitários tem causa embasada. O medo não é à toa e a discriminação ultrapassa palavras ou olhares tortos. No Brasil, a população negra segue como a mais vulnerável quando comparada à branca, especialmente no que diz respeito à violência letal.
O receio de morrer ou de ser preso injustamente faz parte do cotidiano, atravessa gerações e molda comportamentos desde a infância, em um sistema que historicamente associa cor da pele a perigo e criminalidade.
Esta percepção encontra respaldo em dados concretos. Estudo conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP (Universidade de São Paulo), com base em 42.441 homicídios registrados em 2022, mostra que pessoas negras enfrentam um risco significativamente maior de morrer assassinadas do que as brancas, mesmo quando fatores sociais e territoriais são semelhantes. A pesquisa aponta que a cor da pele permanece como fator determinante da letalidade no país.
Segundo os dados, pessoas pretas e pardas representaram quase 78% das vítimas de homicídio no Brasil naquele ano, enquanto pessoas brancas corresponderam a pouco mais de 21%. A desigualdade é agravada nas regiões mais violentas do país. Nos municípios com alta incidência de homicídios, a taxa chegou a 43,2 mortes por 100 mil habitantes, e quase 90% das vítimas eram negras, sobretudo pardas. Essas áreas concentram-se majoritariamente no Nordeste, além de partes do Norte e da Amazônia.
Mesmo após o uso de métodos estatísticos rigorosos, que comparam pessoas com perfis semelhantes de idade, sexo, escolaridade e local de moradia, a disparidade racial persiste. No cenário mais conservador da análise, pessoas negras apresentaram 49% mais chance de morrer por homicídio do que pessoas brancas; em outros modelos, o risco foi até duas vezes maior. Os dados reforçam que o medo ensinado às crianças negras não é paranoia, mas uma estratégia de sobrevivência em um país onde a violência segue um padrão seletivo.
