Nubank: digitalização cresce sem compromisso social
Bancos digitais acumulam clientes sem abrir uma única agência física, enquanto as empresas tradicionais insistem no fechamento de unidades, cortes de empregos e o avanço da terceirização no setor bancário. Os impactos são sentidos principalmente por trabalhadores e usuários.
Por Itana Oliveira
O Nubank passou o Bradesco (110,5 milhões) e se tornou a segunda maior instituição financeira do país em número de clientes, conforme ranking do Banco Central. A fintech soma 112 milhões de correntistas, ficando atrás apenas da Caixa, que tem 158 milhões. Itaú (100,3 milhões) e Banco do Brasil (81,9 milhões) aparecem na sequência e completam o top 5 do sistema financeiro.
Este crescimento, no entanto, não vem sem custos. Bancos digitais acumulam clientes sem abrir uma única agência física, enquanto as empresas tradicionais insistem no fechamento de unidades, cortes de empregos e o avanço da terceirização no setor bancário. Os impactos são sentidos principalmente por trabalhadores e usuários.
Ter milhões de clientes também não significa, automaticamente, inclusão financeira. O endividamento segue elevado, os juros continuam abusivos e o acesso a crédito justo ainda é um problema para grande parte da população. O ranking de reclamações do Banco Central evidencia que quantidade não resolve falhas, conflitos nem a insatisfação dos usuários.
Neste contexto, o avanço das fintechs reforça a concentração de riqueza e a ampliação de lucros, sem qualquer compromisso social. Para o movimento sindical bancário, os números reforçam um alerta: tecnologia não pode ser desculpa para retirada de direitos, precarização do trabalho e o distanciamento do sistema financeiro do interesse público.
