Prêmio Alice Bottas destaca histórias que inspiram e resistem

Prêmio Alice Bottas não se encerra na cerimônia realizada nesta quinta-feira: ele permanece como legado, inspirando, fortalecendo e impulsionando novas histórias de luta e transformação.

Por Julia Portela

Quantas histórias de mulheres seguem sendo ignoradas todos os dias, mesmo sustentando lutas fundamentais dentro e fora do mundo do trabalho? Na noite desta quinta-feira (19), o Prêmio Alice Bottas transformou essa invisibilidade em reconhecimento, reunindo oito trajetórias que inspiram e reafirmam o protagonismo feminino. Mais do que um troféu, a premiação se consolida como instrumento político de visibilidade, memória e resistência.

 

As homenageadas desta edição expressam, em diferentes áreas, a força da luta coletiva. Na categoria Artes, Andreia Silva Reis, mulher preta e de periferia, destacou a resistência ao machismo em espaços historicamente negados às mulheres: “diziam que percussão era coisa de homem”, relembrou, reafirmando que o lugar da mulher é onde ela quiser. Na categoria Bancária, Lúcia Guedes valorizou a trajetória construída no movimento sindical e homenageou mulheres que abriram caminhos, reforçando a importância da resistência coletiva.

 

 

No empreendedorismo, Tereza Paim, reconhecida como “chefe fora da curva”, ressaltou o papel das mulheres na transformação social e defendeu a construção de uma sociedade baseada no respeito. Na categoria Jurista, Lívia Maria Sant’Anna Vaz destacou a importância do prêmio como instrumento de valorização e desejou vida longa à iniciativa.

 

 

Na Ação Social, Amanda Amaral definiu a premiação como símbolo de empoderamento feminino e dedicou o reconhecimento à base familiar que incentivou sua autonomia. No Movimento Negro, Marina Laís Duarte da Silva denunciou a violência contra mulheres e reforçou que nenhuma conquista acontece sem organização popular e sem a intersecção entre classe, raça e gênero. Já na Educação, Bárbara Carine destacou o caráter inspirador de Alice Bottas e a importância de manter vivas referências femininas.

 

Na categoria Comunicação, Camila Oliveira trouxe à tona os desafios de ser mulher no Brasil e apontou a desigualdade estrutural que impede condições iguais de partida. Ao destacar a importância da rede de apoio, reforçou que nenhuma mulher ocupa espaços de destaque sem enfrentar barreiras históricas e sem suporte coletivo.

 

 

Reconhecer essas trajetórias é um ato político diante de uma realidade marcada pelo machismo estrutural e pela desigualdade. O Prêmio Alice Bottas não se encerra na cerimônia realizada nesta quinta-feira: ele permanece como legado, inspirando, fortalecendo e impulsionando novas histórias de luta e transformação.